Outros Ministérios precisam ser fortes, pois uma “pedreira” pode vir por aí

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Senadora Kátia Abreu (PMDB) pode ser a nova ministra da Agricultura

Por: @eduardoazev

Este artigo foi proposto por um professor do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins (UFT).

De acordo com a descrição da atividade individual, postada no mural de avisos da matéria a base para o artigo seria “o documentário ‘O Veneno está na Mesa’, associado aos artigos ‘O agrocídio de cada dia’ de Paulo Henrique Costa Matos, publicado no Jornal do Tocantins, em 28/11/2014, e ‘Indicação de ruralista para Ministério da Agricultura gera revolta entre os movimentos sociais’, de Marcela Belchior, do Correio da Cidadania”.

No curso e principalmente no cotidiano do trabalho jornalístico aprendemos que, enquanto “profissional da informação”, não devemos acreditar numa certeza absoluta ou mesmo aceitar como verdade aquilo que não concordamos. Também é importante mostrar com dados quando há algo que julgamos errado. Primeiro, a forma como o artigo foi proposto foi totalmente parcial.

Não sei se essa era a intenção do professor, mas pedir para os alunos que escrevam sobre a “Possível indicação da senadora Kátia Abreu (PMDB) para o Ministério da Agricultura”, dando como base “O Veneno está na mesa”, “O Agrocídio de cada dia” e “Indicação de ruralista para Ministério da Agricultura gera revolta entre os movimentos sociais” é pedir para aqueles que não conhecem o básico sobre o contexto da política atual, que detonem a possível indicação.

Ao fechar essa observação volto para o tema do artigo, mas com uma leitura mais ampliada do que aquela sugerida, e afirmo com toda segurança: o nome da senadora Kátia Abreu é uma excelente escolha para o sucesso das ações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Li o artigo do professor da Unirg Paulo Henrique Costa Matos e como acadêmico de jornalismo critico a forma como ele expôs os dados, sem citar fontes. Oras. “Todos os anos mais de um bilhão de litros de venenos são jogados nas lavouras”, disse em um determinado momento. Ao jogar essa frase no Google encontro matérias dos anos de 2010 e 2011 (que podem ser conferidas respectivamente aqui e aqui) com jargões quase idênticos.

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em uma comparação feita entre os anos de 2012 e 2013, as vendas de produtos formulados enquadrados como inseticidas tiveram aumento. “Em 2013, na classe de uso inseticida a quantidade comercializada foi de 56.993,88 toneladas de ingredientes ativos (IA) mostrando um aumento de 53% em relação as vendas de 2012 (37.206,81 ton. de IA).

No entanto o mesmo relatório mostra que “as vendas na região Sudeste tiveram uma queda de aproximadamente 8% em relação a 2012, passando de 122,7 mil toneladas (2012) para 112,9 mil toneladas de IA (2013). O Estado de São Paulo também sofreu uma redução de 10,7% nas vendas”. Já o estado do Mato Grosso teve um aumento de 22,9% nas vendas em 2013 comparadas a 2012.

O que quis mostrar é que o artigo do professor na Unirg é muito fraco em fontes e por isso suas declarações, após uma visão mais crítica, tornam-se fracas. Mesmo que tenham sentindo.

Vendo a questão pelo lado dos sem terra, representados pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), acredito que eles estão certos sim em questionar a indicação da senadora, mas acredito que eles fazem isso da forma errada.

O Mapa, conforme uma busca feita no seu site é responsável pela gestão das políticas públicas de estímulo à agropecuária, pelo fomento do agronegócio e pela regulação e normatização de serviços vinculados ao setor.

Se existe um Ministério do Desenvolvimento Agrário, órgão integrante da administração direta, que tem (Art. 1º incisos de I a III da Estrutura Regimental) como competência a reforma agrária; a promoção do desenvolvimento sustentável do segmento rural constituído pelos agricultores familiares; e a identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas pelos remanescentes das comunidades dos quilombos, na seria correto eles brigarem por um representante forte nesta pasta?

Acredito que a Senadora será sim uma grande representante do Mapa. Agora para defender seus interesses é necessário que pessoas de pulso firme sejam colocadas em Ministérios que contrapõem interesses com o da agricultura, como a pasta do Desenvolvimento Agrário e do Meio Ambiente, por que a parlamentar é dura na queda. Tanto que está onde está.

Quero deixar claro que também não concordo com as declarações da senadora no “O Veneno está na mesa (2011)”. Acredito que foram declarações infelizes. Tentar resolver o problema pelo simples fato de ser “mais fácil” também não é o caminho certo. Acredito que um dos grandes desafios desse governo, na área da agricultura, é fazer o brasileiro ter acesso aos orgânicos. Tarefa difícil. Talvez seja o ponto fraco da senadora, caso assuma o Mapa. É aguardar para ver.

Ressalto que, conforme procedimentos básicos da produção de notícias, entrei em contato com a assessoria de comunicação da senadora Kátia Abreu por email na última terça-feira (02) pedindo uma confirmação do convite feito pela presidente Dilma Rousseff. Até a noite desta sexta-feira (06) ainda não obtive retorno.

(Imagem: Da Web)

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