“É um desastre”, diz jornalista Rinaldo Campos sobre Eduardo Siqueira Campos. O autor do “Ditador do Cerrado” também fala sobre Siqueira Campos, Kátia Abreu e mídia local. Confira a entrevista

Jornalista Rinaldo Campos
Em entrevista, jornalista Rinaldo Campos autor do “Ditador do Cerrado” diz que Eduardo Siqueira Campos “É um desastre” – Foto: Blog do @eduardoazev

Por: @eduardoazev

“Contando sobre o amor entre duas freiras enclausuradas em um convento, eu termino um poema dizendo: Deixem que se agarrem, pois a paixão sem amar se consome, e, sob a benção dos deuses, o beijo entre um homem e uma mulher, entre duas mulheres ou dois homens”. Foi em tom de poesia que terminou a entrevista com o jornalista Rinaldo Campos feita pelo Blog do @eduardoazev. Profissional conhecido no Tocantins por seus embates com o ex-governador Siqueira Campos (PSDB), logo após a criação do Estado, o jornalista falou à reportagem sobre o mais diversos assuntos.

Ele é o autor do livro “O Ditador do Cerrado”, que, conforme a 4ª edição da obra, teve três edições apreendidas pela Justiça do Tocantins para serem incineradas. O jornalista também ficou preso em 1993 por causa do livro em que fala sobre Siqueira Campos. Outro momento que trouxe para a mídia o nome do jornalista foi a sua prisão em 2011, onde alegaram envolvimento com um caso de pedofilia.

Na entrevista exclusiva feita pelo Blog do @eduardoazev, Campos fala onde está morando e o que anda fazendo. Outro assunto – impossível de não ser comentado – é sobre a sua relação com o ex-governador Siqueira Campos. Um dos momentos altos da entrevista é quando ele fala sobre o deputado estadual eleito Eduardo Siqueira Campos (PTB), chegando a defini-lo como um “desastre”. O jornalista comenta ainda sobre a senadora Kátia Abreu, sobre a sua prisão em 2011 e também sobre o jornalismo local. Confira:

Como está o jornalista Rinaldo Campos hoje?

RC – Eu moro em Palmas como sempre morei. Alguns dos meus filhos estudam fora do Brasil. E eu por cansaço físico, não profissional, às vezes me retiro, mas eu volto. Moro em palmas faço jornalismo como sempre fiz.  A única diferença do jornalista Rinaldo Campos, do tempo em que chegou no Tocantins e agora, é o cabelo e a barba completamente brancos. O cansaço do tempo reforçado pela experiência. Portanto tira lá, tira aqui, a mesma coisa. O jornalista continua atuante e tão perseverante encontrando as mesmas autoridades mudando de nome, mas roubando, trapaceando, ameaçando e tentando calar a imprensa com mil subterfúgios. Um dos quais o financeiro. Eu não preciso do dinheiro do poder para falar.

Depois de escrever o livro “O Ditador do Cerrado”, hoje como é que você define sua relação com o ex-governador Siqueira Campos?

RC – Quando você pergunta sobre relação muitas pessoas imaginam que seja de amizade. Pode ser uma relação de ódio, uma relação de desprezo. Eu não sinto nenhum desprezo por ele. Acho que ele foi um grande batalhador. Se essa história do Tocantins e se nós estamos aqui devemos (diz pausadamente) inclusive a ele e ao trabalho dele. A única coisa que eu disse dele é que ele era um arrogante e um ditador. Isso hoje já está mais esclarecido. Eu não conheço nenhuma pessoa que diga que ele não é um arrogante e um ditador. Isso eu mantenho. Não tenho nada contra ele e não irei ao enterro dele, porque eu acho que ele vai morrer antes de mim. Talvez eu vá primeiro né? Muitos inimigos que tripudiavam ele já se foram e ele tá aí. Bem, mas eu não tenho absolutamente nenhuma relação (com Siqueira Campos). Nem de amor, nem de ódio. Ele apenas tem que respeitar o público que ele fez surgir, que é o tocantinense, e continua arrogante.

DitadorDoCerrado
Livro “O Ditador do Cerrado” – Foto: Blog do @eduardoazev

Sobre o deputado estadual eleito Eduardo Siqueira Campos (PTB), o que senhor pode falar sobre ele?

RC – O deputado estadual mais bem votado do Tocantins sempre foi um desastre pessoal. Ele, ao contrário do pai, não é arrogante. Ele é simples demais e a simplicidade demais ou arrogância demais leva aos erros. Ele tropeçou nos hábitos pessoais, nos vícios pessoais, nos dramas pessoais. Sofreu na vida e teve algumas perdas sentimentais. Ele é um desastre. Talvez, como ele ainda não é velho, ele possa se recuperar porque esse tipo de cidadão tem aceitação pública. Um mau caráter tem quem goste. Ele teve 28 mil votos. Em relação a ele eu não vejo muito futuro, mas eu respeito 28 mil pessoas que ainda viram virtudes nesse desagregado.

O senhor também já acompanhou os trabalhos da senadora Kátia Abreu (PMDB).  Qual a opinião do senhor sobre ela enquanto pessoa política?

RC – A Kátia Abreu é tão valente quanto o Siqueira Campos. Ela é brava e é uma batalhadora muito eficiente. Ela não é um “Mano Chao” da minha musicalidade, ela é uma música erudita. O mundo inteiro contesta não a Kátia Abreu, mas atitudes que ela toma. O agronegócio é perigoso. Ela deveria ouvir um pouco mais aqueles que contestam. A natureza está sendo degradada por essa ideia do agronegócio. A eficiência dela, o poder e a vitória dela agora com o ministério que ela pode assumir, fará com que ela tenha a grande oportunidade de mudar essa imagem, pois ela pretende não ser ministra. Ela já declarou publicamente que está predestinada a ser presidente da República. Que ela aproveite a estadia no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e corrija a última imagem que a fere, que é a de arrogante.

Outra questão que marcou a sua vida foi a sua prisão em Foz do Iguaçu em 2011, que envolveu assuntos, conforme noticiado pela mídia, relacionados à pedofilia. O que o senhor tem a dizer hoje sobre essa questão?

RC – A prisão em Foz do Iguaçu foi a 17ª (Décima Sétima). Foram 16 prisões anteriores que nunca renderam absolutamente nada. Dessas 16 prisões, 13 tem uma pessoa por trás. É uma ex-companheira que jurou vingança e está mostrando a sua eficiência. Então essa prisão em Foz do Iguaçu é mais uma formação de ideias daqueles que acham que tem direito de destruir, não importa a forma. Eu fui preso em Foz do Iguaçu pela Polícia Federal, trazido para Palmas em 15 dias. O Ministério Público do Tocantins dentro do processo reconheceu que não havia nada de pedofilia, que não havia nenhuma base naquilo que fui denunciado. Eu me disse inocente, minha defesa me pôs como inocente e o Ministério Público me disse inocente. A Justiça julgou e disse que não havia pedofilia no caso da prisão. O que eu preciso agora é ter forças para resgatar a minha dignidade, que foi ferida com essa acusação. Eu conheço milhares de moças, senhoras e crianças neste Estado. Converse com elas, as que conversam comigo e tire a conclusão se eu seria capaz de tocar num rosto de uma pessoa sem que houvesse sentimento. O Ministério Público disse que eu sou inocente, a justiça já julgou e disse: inocente.

Hoje no Estado temos um jornalismo bem diferente do de tempos atrás devido ao crescimento da internet. T1 Notícias, com a Roberta Tum, PortalCT, com o Cléber Toledo, por exemplo, são referências no atual jornalismo local. O que o senhor pode dizer sobre esse tipo de jornalismo, que atualmente é um dos mais vistos no Tocantins?

RC – A gente tem um Caetano Veloso e um Chico Buarque. Um Michel Teló e um Luan Santana e tem ainda uma Anitta. É fácil descobrir quem é cantor e quem é compositor. Não seria eu o juiz de um Cleber Toledo ou de uma Roberta Tum, que inclusive a Tum nós começamos juntos no jornalismo do Tocantins. O jornalismo é a arte de se contar a verdade. Não se aceita que um prefeito ou um governador conte uma história e você a publique sem conferir. O release é como se fosse uma mãe elogiando o bebê. Não vale. O assessor de imprensa, com todo o carinho que nós temos por eles, não fazem jornalismo. Fazem um trabalho direcionado, de elogios. Nenhum assessor de um candidato vai ter coragem de dizer que ele fala bobagem nos bastidores, ele vai elogiar. O jornalismo não é um ato de elogio e o Tocantins virou um tabuleiro de jornalismo pago. Essas pessoas dependem do Estado, de financiamento do Estado para elogiar. Eu nunca recebi uma moeda do Estado para elogiar. Bato em qualquer um. Bater no sentido de verdade é verdade. Construiu uma ponte, ai a assessoria diz que inaugurou a ponte entre tal lugar e tal lugar. Eu vou conferir. Não tem ponte e nem rio e você quer que eu ponha essa matéria? E várias matérias estão sendo publicadas agora sobre os políticos atuais que se você conferir a matéria do portal x, y ou z, você vai ver que as matérias não estão batendo. Alguém está comendo bola. Eu acho que é a assessoria de imprensa.

Atualmente o jornalista Rinaldo Campos escreve para o site http://brasilrebelde.com.br/site/ e comanda a Radio Brasil Rebelde e o Jornal Tribuna News. “E vamos lançar um canal de TV e também uma revista de agronegócio chamada ‘A fazenda’ que está em fase de elaboração”, afirmou.

As opiniões dadas são exclusivamente de responsabilidade do entrevistado e não representam a opinião do Blog do @eduardoazev.

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