OPINIÃO: “Cleber Toledo, eu discordo plenamente”. Uma análise dos comentários sobre as charges do jornal ‘Charlie Hebdo’ após o ataque terrorista

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Terroristas matam policial em Paris –   Imagem: Reprodução/JN

Por: @eduardoazev

Nas primeiras horas da manhã do último dia 07 de janeiro o mundo parou diante dos atos terroristas que ocorreram em Paris, na França. Atiradores entraram na sede do jornal satírico “Charlie Hebdo”, matando 12 pessoas e deixando mais de 10 feridas. Entre mortos e feridos estavam jornalistas e policiais. Dois dias depois os principais suspeitos da barbárie – Cherif, 32 anos e Said Kouachi, 34 anos – se refugiaram em uma gráfica em Dammartin-en-Goele, a quase 40km do local do primeiro crime. Lá foram mortos pela polícia, mas antes disso mais quatro pessoas também foram assassinadas.

O motivo divulgado pela grande mídia foi de que as charges do jornal que retratam o profeta Maomé podem ter causado o ataque.

Trabalho com a informação – e gosto disso, logo me senti próximo do caso. No entanto uma coisa específica, que tem aparecido com frequência na timeline do meu twitter e do meu facebook tem incomodado muito.

Vou caracterizá-lo aqui como um movimento “Eu não sou Charlie” (o termo foi utilizado em contrapartida à hashtag #JeSuisCharlie – eu sou Charlie – que ganhou as redes sociais em homenagem aos mortos após os ataques terroristas).

Como exemplo vou citar uma parte do texto escrito pelo internauta Ricardo Espíndola e compartilhado pelo jornalista tocantinense Cleber Toledo, que tem grande influência na mídia local, seguido pelo seguinte comentário: “Concordo Plenamente”.

Espíndola começa o seu texto assim:

“Um grupo de irresponsáveis idiotas pôs o mundo ocidental em risco com base em uma dita liberdade de expressão sem limites. Hoje vítimas inocentes são enterradas e países tornam-se alvos de terroristas pelas mãos estúpidas desses tais defensores da liberdade de expressão”.

Lembro de acompanhar uma discussão em torno do assunto “machismo” e, após ler esse primeiro trecho escrito por Espíndola, a frase de uma feminista durante o tal debate me veio imediatamente à cabeça:

“A mulher, seja de roupa curta ou da forma que dança, não é culpada por um estupro. Uma mulher que anda pelada pode sim ser julgada por atentado ao pudor, mas se um homem abusar dela nesta ocasião o culpado do estupro é ele e não ela”

Mas qual a relação disso com o movimento “Eu não sou Charlie”?

Veja algumas das imagens abaixo.

charlie hebdo 2
Maomé beija cartunista: “o amor, mais forte do que o ódio”
charlie hebdo 4
Ministra Christiane Taubira é retratada pela Charlie Hebdo como uma “macaca” (P.s: ela agradeceu de verdade a revista pela postagem . Leia mais aqui
charlie hebdo 3
“O Pai, o Filho e o Espírito Santo” relacionado ao casamento gay
charlie hebdo
O nascimento de Jesus também foi satirizado pelo jornal
dieudonné
O comediante francês Dieudonné é retratado com uma banana no ***

As pessoas que fizeram estas e muitas outras charges – algumas de caráter preconceituoso, outras que não respeitam a religião alheia – mereciam o que aconteceu lá em Paris (Leia novamente o primeiro parágrafo)?

Continuando o texto compartilhado de Espíndola. Ele diz na sequência:

“Um católico jamais admitiria ter a pessoa de Maria Santíssima desrespeitada.
Um judeu retaliaria quem risse do holocausto ou de seus Moisés e Davi.
Um espírita condenaria quem ofendesse a pessoa de Kardek”

Para esse comentário eu respondo:

Um católico (de verdade) jamais mataria por causa disso.
Um judeu (de verdade) jamais mataria por causa disso.
Um espírita (de verdade) jamais mataria por causa disso.

Um evangélico (de verdade) jamais mataria por causa disso.

Por que os verdadeiros seguem a fé em Deus e oram/rezam por seu próximo. E muitos, quando sentem que a sua honra foi ofendida, procuram a justiça para que ela julgue o fato.

Já dizia um dos mandamentos: não matarás.

Agora a pior parte do texto compartilhado pelo jornalista tocantinense:

“Por que então um muçulmano tem que aceitar ofensas à sua fé e seus profetas? Os atos terroristas são inadmissíveis e seus praticantes têm que ser cassados e banidos. Mas os irresponsáveis idiotas que fizeram o crime de molestar a fé alheia têm que ser parados também (grifo nosso)”.

Para isso – em especial para o grifo – eu respondo para Espíndola e para Toledo (que concorda plenamente): eles já foram.

Entendo muito a questão sobre o respeito às religiões. E eu respeito todas. Só acredito que a comparação do que o “Charlie Hebdo” fez em relação ao que foi feito contra ele – e contra a população francesa – é muito fraca para ser considerada. No contexto que está agora esse posicionamento parece apenas a busca por uma justificativa pelo que aconteceu. E neste mesmo contexto transmite-se a ideia de que eles são os responsáveis pelos seus assassinatos. NÃO! OS RESPONSÁVEIS SÃO OS ASSASSINOS E TODO O SEU GRUPO TERRORISTA!

Há todo um contexto histórico envolvido neste ataque. De Guerras, terrorismos e etc. A França não é “nenhuma santa”, mas reforço NADA JUSTIFICA O QUE FOI FEITO.

Por isso que eu discordo plenamente.

 #JeSuisCharlie

O comentário na íntegra de Espíndola que foi compartilhado pelo jornalista tocantinense você pode ver AQUI ou na imagem abaixo.

Comentário do internauta no facebook
Comentário do internauta no facebook

(Imagens reproduzidas da Web)

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