“TESTE DO PICOLÉ”: projeto Cidadão Consciente implementado em Palmas testa honestidade dos alunos da UFT

Por: Vanessa Mesquita e Daniel dos Santos / UFT

Fomentar o exercício da cidadania, a fim de criar uma cultura em que os cidadãos reafirmem a honestidade e a ética diariamente, é o que propõe o projeto Cidadão Consciente implementado na Universidade Federal do Tocantins nesta quarta-feira (27). “O objetivo é fazer um convite a reflexão sobre nossos atos enquanto cidadãos”, explica o diretor de cultura do Câmpus de Palmas, Dimas Magalhães Neto.

O projeto foi inspirado na iniciativa da Universidade Tecnológica Federal de Cornélio Procópio, do Paraná. A ideia é que, durante um mês, um freezer com picolés fique disponível no Bloco I. As pessoas poderão fazer a retirada do produto e em seguida depositar o valor de R$ 2,00 em uma urna colocada ao lado, sem qualquer fiscalização efetiva. No mesmo período tabuleiros de xadrez estarão livremente acessíveis para comunidade. Apesar de ser um novo projeto, o conceito não é totalmente novo na Universidade, já que há algum tempo materiais esportivos – como a bola de vôlei, raquetes e bolas de tênis de mesa – são deixados à disposição dos acadêmicos e são bem utilizados, mesmo que não exista um controle real.

Essa boa experiência leva o diretor a ser positivo em relação aos riscos. “Acreditamos que vale a pena correr este risco principalmente por acreditar que a grande maioria das pessoas que irá se envolver já é consciente”, justifica Dimas. “O que temos que fazer é demonstrar que é possível educar as pessoas através das boas práticas, e que ainda podemos acreditar nas pessoas, ou pelo menos na grande maioria delas”, complementa.

A avaliação dos resultados é feita diariamente e divulgada em um quadro branco que fica junto ao freezer. Como o projeto não tem fim lucrativo, o valor arrecadado, caso supere os custos, será doado a uma entidade social. Até a última quinta-feira (28), a atividade têm tido uma avaliação positiva, com uma média de 92% de cidadãos conscientes.

O professor do curso de Filosofia, Gabriel Diedrich, considera importante o impulso geral do projeto, pois ele permite discutir temas éticos de um modo contextualizado e concreto, considerando agentes específicos em ações específicas. “Não é incomum, especialmente nos dias atuais, ouvirmos, lermos ou dizermos as palavras ‘honestidade’, ‘corrupção’ e ‘ética’, mas muitas vezes as empregamos para nos referir a ações de outros, notoriamente agentes públicos. Quando estas palavras são empregadas para se referir e avaliar ações de agentes com os quais convivemos mais diretamente, ou quando são empregadas para se referir às nossas próprias ações, tais palavras possuem um peso especial. O projeto me parece positivo exatamente por possibilitar uma reflexão sobre nossas próprias ações concretas, sem, por assim dizer, maiores rodeios”, explicou Diedrich.

O professor ainda acrescenta que o fato de deixar em aberto a possibilidade de cada um se decidir por aquilo que seria em princípio publicamente correto tende a estimular a prática de algo com que, pelo menos no plano do discurso, todos concordariam. “A partir de exemplos positivos, comportamentos podem ser reproduzidos quase que naturalmente, criando uma rede mais ampla de ações publicamente positivas. Propostas similares, como a de compartilhamento de livros em locais públicos, também podem ser igualmente benéficas. Inclusive se poderia incluir entre os livros a serem compartilhados livros de ética, fazendo, assim, circular discussões desta natureza”.

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